Requiem for a Dream vs. Trainspotting

O mote não é tão igual assim. Requiem põe lado-a-lado a heroína e a cultura de massa/anfetaminas. A trajetória das personagens é igualmente paralela, o que torna o filme mais homogêneo: a equação define-se praticamente por uma reta. Drogas, drogas, desespero, drogas, ápice.

Trainspotting já é mais humano, de fato. Renton, Spud, Sickboy, Begbie e Tommy. Cada personagem trabalha sua própria variabilidade, mas fica claro que o antiherói é o único a fazer um percurso entre extremos (e continuar vivo).
Tommy nunca mente, faz exercícios e condena o uso de drogas. Morreu de toxoplasmose, drogado.
Begbie dá chilique, é hipócrita e sovino. Se fodeu mesmo sem a heroína.
Spud é tranqüilo e “não faria mal a ninguém”. Se fodeu (foi preso), voltou a se drogar, mas recebeu umas migalhas no final.
Sickboy demonstra um vazio muito bem disfarçado por um discurso já constituído; se droga; não se dá muito mal, porque salva a própria pele e pronto. Perdeu uma grana.

O termo evidente de associação entre estes longas é meramente o objeto -no mínimo- secundário da trama: drogas. Mais que isso: heroína. Disto não é possível extrair uma relação muito convincente entre os filmes que, afinal, são muito diferentes.

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