Arquivo para Março, 2008

Baixio das bestas

Posted in film com as tags , on Março 22, 2008 by labeautee

A produção e a filmagem são boas (as atuações idem, mas normalmente uma boa produção brasileira indica boas atuações); muito mais do que esperava.
Esse diretor apresenta a mim um tipo de cultura mundana muito diferente daquela em que estou inserido. Acho ótimo, sobretudo pelas três qualidades que citei anteriormente.
Destaco o tratamento pessoal entre o avô e a auxiliadora. Ela não possui nem nome; é auxiliadora e parece que nunca se afirmará na existência. Isto (e a violência psicológica e moral) me lembra muito a Macabéa e a personagem de Dogville (apenas em Dogville, não em Marderlay).

O enquadramento e a pouquíssima mobilidade da câmera me conduziram a uma fabricação constante de fotografias; este tipo de filmagem, num filme-retrato, parece-me perfeito.

É um bom filme. Gostei, de fato, mas não extremamente: 1) acho as conclusões dos filmes Amarelo manga e Baixio das bestas (os que vi do Cláudio Assis) muito vagas. Embora isso dê aos filmes um tom “e assim vai”, isto é, expresse uma continuidade freqüente, penso que é um aspecto pouco explorado; 2) queria que fosse mais cru, afinal, parece-me exigência do próprio contexto.

Vi comentários que apontavam para a crueza (violência) do filme como algo negativo ou chocante demais. Eu não acho. Primeiro por que em filmes de ação há muito mais violência (sangue, porrada, tiro, amputação e explosões) que Baixio das bestas; segundo por que é a sua angústia que causa má impressão, não as ações, pois estas não são nada explícitas. Atrevo-me a dizer: é justamente isso que Assis quer.

Alternativo, ahã, ahã

Posted in Uncategorized com as tags , , , on Março 19, 2008 by labeautee

É chato tentar entender por que os cinéfilos juniores acham que filmes alternativos precisam ter algo como mensagem subliminar ou coisas tri obscuras, estranhas.
A infinidade de recursos e estilos confundem, desagradam. É aceitável que alguém não goste do filme ‘X’, mas a argumentação que parte do caráter subjetivo pra se chegar no objetivo categórico tem valor exclusivamente pessoal. Funciona pra saciar uma disposição discreta pra ‘discutir’ filmes e só.
Como analogia, posso transcrever um complexo texto minimalista, de título ‘Aventura’: “Nasceu”. Não tem enredo específico nem personagens identificados, todavia representa a idéia de um movimento cultural no campo literário. Não é diferente com filmes; parece que alternativo agora é chocante. ‘Nossa’. É evidente que qualquer recurso mais atrevido -e nem precisa ser mesmo atrevido, mas basta ser distinto do tradicional- impressiona: cinéfilos juniores, ainda que simulem orgasmo intelectual, ainda que pareçam aplicar tanta retórica decorada dos chistes velhacos pertencentes a um ser (do ensino) superior quanto o fazem em menor escala políticos imortais, ainda que delirem pelo nariz de Fellini-versão-pós-blablabla, são burros.

Algumas considerações de rodapé

Arte pode não ser ciência, contudo, se algum ser humano sabe mais e deixou esta sabedoria disponível, ler um pouco não deve ser de todo mal; sobretudo com o auxílio de um dicionário (vende menos que Bíblia. Temos um problema: o Brasil tem resultados abomináveis em exames de português e redação. Se a Bíblia é bem escrita [a versão nonpocket], como é que um semi-analfabeto consegue interpretar as sagradas escrituras?).

Viu? Utilize um dicionário, aprenda a suportar gramática, e evite conflitos desnecessários.